Abstract
Health Connections brings together studies and reflections on the challenges and advances in healthcare in contemporary times. The work addresses themes related to innovation, humanization, inclusion, technology, and care practices. With different scientific perspectives, it highlights the importance of knowledge and multidisciplinary action for safer and more qualified care. An invitation to build new connections between science, care, and transformation in health.
References
ASSISTENCIA DA EQUIPE DE
ENFERMAGEM NAS URGÊNCIAS E
EMERGÊNCIAS OBSTÉTRICAS
Maria Das Dores Francelina De Araujo
Luciene Bezerra de Lima
Marta Simonir Santos Moreira Reis
José Leandro Ernesto Das Chagas
Tereza Cristina De Albuquerque Leal
Bruna Hellen Saraiva Costa
INTRODUÇÃO
A assistência prestada pela equipe de enfermagem nas urgências e emergências obstétricas configuram-se como um elemento essencial para a promoção da segurança e da qualidade do cuidado á saúde materno-infantil. Nesse contexto, o atendimento eficaz e oportuno pode contribuir significativamente para a redução dos índices de morbimortalidade, especialmente diante de intercorrência clínicas que exigem respostas rápida e precisas. Além disso, a equipe de enfermagem desempenha papel fundamental na identificação precoce de sinais de agravamento, na estabilização da paciente e na articulação com os demais profissionais de saúde (Ministério da Saúde, 2019).
De início para melhor compreensão do tema, é necessário primeiramente saber diferenciar os conceitos de urgencia e emergencia obstétrica. Enquanto as urgencias obstétricas conrrespondem a situações que, embora potencialmente graves, permitem certo tempo para avaliação e intervenção, como hemorragias leves ou hipertensão sem sinais de gravidade. Ja as emergencias obstétricas são caracterizadas por condições súbitas e críticas, nas quais há risco iminente de morte para a gestante ou o feto, como no caso de eclampsia ou hemorragia pós-parto (Domingues et al., 2020; Rezende;Monteiro, 2021).
Dessa forma, compreender essa diferença é fundamental para direcionar condutas eficazes e imediatas. Diante desde cenário, destaca-se que a atuação da equipe de enfermagem vai além dos procedimentos, englobando também o acolhimento, a vigilancia contínua e o suporte emocional a gestante. Assim é imprescindível que esses profissionais estejam devidamente capacitados para agir com segurança e agilidade frente as situações de urgência ou emergência . conforme enfantizado por Oliveira et al., (2022), a qualificação da equipe de enfermagem está diretamente relacionada a capacidade de tomada de decisões clínicas rápidas, bem como á integração eficaz com a equipe multi profissional o que repercute diretamente nos desfechos maternos e neonatais.
No cenário Mundial, as complicações obstétrícas continuam figurando entre as principais causas de mortalidade materna. Conforme aponta a Organização Mundial de Saúde (2019), aproximadamente 295 mil mulheres morreram em 2017, devido as complicações durante a gravidez e o parto. Dentre essas causas, destacam-se a hemorragia pós-parto, infecções, complicações por abortos inseguros e distúrbios hipertensivos. Cabe destacar que a hemorragia pós parto é responsável por cerca de 27% das mortes maternas no mundo, principalmente em países de baixa e média renda.
No contexto Nacional, a mortalidade materna no brasil também apresenta números preocupantes. De acordo com Santos et al., (2022), a razão de mortalidade materna (RMM), era de 57 por 100 mil nascidos vivos em 2019. Entretanto esse número aumentou para 67 em 2020e atingiu 107 em 2021, reflexo direto da pandemia da COVID-19, que foi responsável por mais de 1.500 mortes maternas.
Esses dados evidenciam falhas estruturais no sistema de saúde, agravados pela emergencia sanitária. Alem disso, a hemorragia pós-parto apresenta-se como uma das principais causas de óbitos maternos no país. Segundo estudo de Vieira et al., (2021), entre 1996 e 2018, das 22.281 mortes maternas registradas, 3.179(14,26%) ocorreram por hemorragias. Ainda que os dados reflitam a realidade nacional, observa-se maior concentração desses casos nas regiões Norte e Nordeste, o que reforça a necessidade de estratétegias específicas para áreas mais vulneráveis.
Por sua vez a região Nordeste apresenta indicadores preocupantes relacionados ás emergencias obstetrícas. Entre 2019 e 2023, foram contabilizadas 517 óbitos por eclampsia e pré-eclampsia, sendo que o Maranhão (22,63%) e a Bahia (20,50%) lideraram os casos. Além disso, a maior parte das vítimas eram mulheres pardas com escolaridade entre 8 e 11 anos, o saude que demontra o impacto das desigualdades sociais sobre a saúde materna (Santos et al.,2023). Portanto, a redução dessas mortes depende diretamente do fortalecimento das políticas de saúde e da ampliação do acesso ao pré-natal de qualidade.
No ambito municipal, João Pessoa, capital da Paraíba, conta com o Instituto Candida Vargas como referencia no atendimento obstétrico de média e alta complexidade, oferecendo serviços de urgencia e emergencia para gestantes de alto risco ( João Pessoa, 2023a). Apesar disso são limitados os dados específicos sobre incidencia de emergencias obstétricas no município. Entretanto, conforme dados da Secretaria Municipal de Saúde, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgencia (samu-JP) registrou mais de 22 mil atendimentos entre Janeiro e Novembro de 2022. Dentre essas ocorrencias, uma parte significativa envolveu socorros obstétricos, o que evidencia a importancia dos serviços de resposta rápida para garantir a assitencia materna em tempo oportuno (João Pessoa, 2020b).
A atuação conjunta da equipe multiprofissional em contextos de urgência e emergência obstétrica é de extrema importância, uma vez que possibilita uma resposta rápida, coordenada e eficaz frente a complicações que colocam em risco a vida da gestante e do feto. Nesse sentido, a integração entre os profissionais favorece a continuidade da assistência, permitindo que cada membro contribua com suas competências específicas. De acordo com Leal et al., (2019), a articulação entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas e outros profissionais promove decisões clínicas mais ágeis e melhores desfechos obstétricos.
Além disso, é necessário destacar que a enfermagem exerce papel estratégico, especialmente por ser, na maioria das vezes, o primeiro ponto de contato com a gestante e o elo constante durante o cuidado. Entretanto, a eficácia dessa assistência depende fortemente da comunicação eficiente entre todos os membros da equipe. Segundo Silva et al., (2021), a colaboração multiprofissional se fortalece quando há troca de informações claras, objetivas e em tempo oportuno, o que contribui significativamente para a redução de falhas e para a otimização das condutas assistenciais.
Além disso, em casos como a pré-eclâmpsia grave e a eclâmpsia, a enfermagem deve atuar de forma contínua, mantendo monitoramento rigoroso dos sinais vitais, assegurando a administração correta de medicamentos, como o sulfato de magnésio, e garantindo um ambiente calmo, a fim de prevenir convulsões. Nesse sentido, Santos et al. (2020) reforçam que a agilidade e a adesão aos protocolos clínicos são indispensáveis para a estabilização da paciente e a prevenção de complicações mais graves.
Do mesmo modo, nas situações de hemorragia pós-parto, uma das principais causas de mortalidade materna, a intervenção imediata da enfermagem é crucial. A equipe deve identificar rapidamente a perda sanguínea, realizar a massagem uterina, administrar os ocitócitos conforme prescrição médica e preparar a paciente para possíveis procedimentos emergenciais. De acordo com Souza e Lima (2019), a prontidão da enfermagem diante desses episódios está diretamente associada à eficácia do atendimento e à recuperação da paciente.
Diante do exposto, este estudo possui como fio condutor a seguinte questão de pesquisa: qual a assistência da equipe de enfermagem nas urgências e emergências obstétricas? E como objetivo identificar na literatura científica a atuação da equipe de enfermagem nas situações de urgência e emergência obstétrica, destacando sua importância para a assistência segura e de qualidade materno- infantil .
MATERIAL E MÉTODO
Trata-se de uma revisão integrativa que pode ser entendida como um método de pesquisa que permite reunir e sintetizar, resultados de estudos já produzidos, de forma sistemática e ordenada, possibilitando ao pesquisador compreender o estado atual do conhecimento, além de identificar lacunas que necessitam de investigação. Esse tipo de revisão é amplamente utilizado na área da saúde por contribuir para a prática baseada em evidencias (SOARES et al., 2017).
Para tanto, para conferir rigor metodológico, serão percorridas as seguintes etapas para a realização deste estudo: identificação de problema, com a definição da questão de pesquisa; estabelecimento de critérios de elegibilidade de estudos para a busca de literatura científica; definição das informações a serem extraídas dos estudos; avaliação dos estudos; interpretação dos resultados e apresentação da revisão/síntese do conhecimento (SOUSA; SILVA; CARVALHO, 2010).
A busca foi realizada em quatro bases de dados: Literatura Latino-Americanado Caribe em Ciencias da Saúde ( LILACS), Medical Literature Analisys and Retrieval System Online ( MEDLINE), Base de Dados de Enfermagem ( BDENF), Coleciona SUS. Foram adotados os seguintes critérios de elegibilidade: publicações na modalidade de artigo, texto completo, que abordam a temática, publicados no período de 2020 a outubro de 2025, disponibilizados nos idiomas português e inglês.
Foram excluídas publicações como: teses, dissertações, monografias, trabalhos de conclusão de curso, relatos de caso, relatos de experiência, manuais, resenhas, notas prévias, artigos que não contenham resumos disponíveis, que não tratassem da temática
A busca de dados seguiu os procedimentos de leitura de títulos, resumos e artigos completos, para identificar se os mesmos contemplavam a questão norteadora deste estudo. É fundamental certificar-se que a totalidade dos dados relevantes seja extraída, reduzir o risco de erros na transcrição e que a análise das informações seja precisa.
Para análise e síntese dos artigos que compuseram o corpo amostral, foi utilizado um instrumento construído pelo pesquisador, que foi preenchido para cada artigo selecionado, codificando-os para melhor visualização dos referidos estudos. O instrumento adaptado contém informações sobre: ano de publicação, título, periódico, tipo de estudo/abordagem, objetivos, principais resultados.
A busca em diversas bases de dados tem como finalidade ampliar o número de publicações e minimizar vieses, sendo operacionalizada a partir da utilização de termos identificados no vocabulário na base dos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e no Medical Subject Headings (MeSH). Assim, foram utilizados os seguintes descritores para a seleção dos artigos: Emfermagem obstétricas, Emergencias obstétrica, Urgencia obstétrica, Assistencia de enfermagem.
Tais descritores foram combinados com o operador booleano “AND” entre si, nos idiomas em português e inglês com o objetivo de selecionar criteriosamente os estudos que abordem a temática, dentro das bases de dados selecionadas.
A busca foi realizada utilizando os descritores “enfermagem obstétrica”, “emergências obstétricas”, “urgência obstétrica” e “assistência de enfermagem”, combinados pelo operador booleano AND. Foram consultadas as bases MEDLINE e LILACS, filtradas pela instância regional, empregando a seguinte expressão:
(“enfermagem obstétrica” AND “emergências obstétricas” AND “urgência obstétrica” AND “assistência de enfermagem”) AND db:(“MEDLINE” OR “LILACS”) AND instance:”regional”.
Para ampliar o mapeamento das evidências, também foi realizada uma busca no ColecionaSUS, utilizando os termos “urgências obstétricas”, “emergências obstétricas”, “assistência de enfermagem” e “atenção obstétrica”, combinados com o operador AND, conforme a expressão: (“urgências obstétricas” AND “emergências obstétricas” AND “assistência de enfermagem” AND “atenção obstétrica”) AND base:”ColecionaSUS”.
RESULTADOS
Ao término da leitura dos artigos selecionados a priori, conforme uso dos descritores pré-definidos e da triagem foram identificados 32 no MEDLINE, 6 no LILACS, 4 no BDENF, 2 no COLECIONA SUS, totalizando 44 artigos e após aplicar os critérios de elegibilidade ficaram 10 artigos como mostra a Figura 1.
FIGURA 01 – Apresentação das etapas do processo de seleção dos estudos incluídos, 2025
Fonte: Dados da pesquisa, 2025
A síntese dos achados evidencia que a enfermagem desempenha papel essencial na detecção precoce e no manejo das urgências obstétricas, atuando de forma integral desde o acolhimento até a assistência intensiva. Os estudos analisados reforçam a importância da educação continuada, do uso de tecnologias e protocolos bem estruturados, da incorporação do e-learning e de uma abordagem humanizada voltada à segurança materno-fetal.
Esses elementos fortalecem a rede de atenção obstétrica e contribuem diretamente para a redução da morbimortalidade materna e neonatal. Observou-se que as pesquisas abordam diferentes aspectos da atuação da equipe de enfermagem nas urgências e emergências obstétricas, mas todas convergem quanto à relevância de um cuidado qualificado, humanizado e seguro.
No que se refere à caracterização das publicações incluídas, constatou-se que os estudos foram publicados entre os anos de 2018 e 2025, evidenciando um crescente interesse pela temática da assistência de enfermagem nas urgências e emergências obstétricas ao longo do tempo. A distribuição anual das publicações foi a seguinte: dois estudos em 2018, um em 2019, um em 2020, um em 2021, dois em 2022, um em 2023, um em 2024 e um em 2025. Nota-se, portanto, uma maior concentração de publicações entre os anos de 2020 e 2025, período marcado pelo aumento das discussões sobre segurança materna e pela atualização de protocolos clínicos, impulsionadas por fatores como a pandemia da COVID-19 e a modernização das práticas assistenciais.
Quanto ao idioma, observou-se predominância de estudos publicados em português (n=9), com apenas um artigo em inglês, o que demonstra o forte caráter nacional das produções científicas voltadas à realidade da enfermagem obstétrica brasileira. Em relação às bases de dados consultadas, a LILACS foi a mais representativa, reunindo sete estudos, seguida pela BDENF, MEDLINE e Coleciona SUS, cada uma com um estudo incluído. A predominância de publicações na base LILACS confirma sua relevância para a área da saúde pública e para a disseminação do conhecimento científico produzido no campo da enfermagem na América Latina, como demonstrado na tabela abaixo.
Os artigos selecionados destacam práticas, protocolos e estratégias voltadas à segurança, humanização e qualificação da assistência em urgências e emergências obstétricas. Os principais cuidados e ferramentas identificados estão descritos no quadro abaixo:
A partir da análise dos títulos, objetivos e principais achados dos estudos selecionados, foi possível identificar dois temas centrais que se repetem de maneira significativa nas publicações. O primeiro refere-se à humanização e ao acolhimento da gestante em situações de urgência e emergência obstétrica. Esses trabalhos destacam o papel essencial da enfermagem na criação de um ambiente seguro e acolhedor, no qual a escuta qualificada, a empatia e a comunicação efetiva se apresentam como componentes indispensáveis do cuidado. A humanização da assistência, especialmente em contextos de alto risco, permanece como estratégia fundamental para fortalecer o vínculo com a gestante, reduzir ansiedade e favorecer práticas centradas na mulher, respeitando sua autonomia e suas necessidades específicas.
O segundo tema recorrente diz respeito aos protocolos e à qualificação da assistência de enfermagem nas emergências obstétricas. Essas publicações ressaltam a importância da utilização de protocolos assistenciais, fluxogramas padronizados, kits emergenciais e ferramentas organizacionais que auxiliem na tomada rápida e segura de decisões clínicas. Além disso, reforçam que a capacitação contínua da equipe é indispensável para garantir respostas ágeis e eficazes diante de situações críticas, como hemorragia pós-parto ou síndromes hipertensivas. Tais recursos contribuem não apenas para a uniformidade das condutas, mas também para a redução de riscos maternos e neonatais, fortalecendo a qualidade da assistência prestada. Desse modo, observa-se que os estudos convergem para a valorização de uma assistência de enfermagem que integra humanização e competência técnico-científica, demonstrando que ambas as dimensões são fundamentais para o manejo seguro e efetivo das urgências e emergências obstétricas.
Após análise dos títulos, objetivos e resultados, os dois temas que mais se repetem são:
Humanização e acolhimento da gestante em situações de urgência e emergência obstétrica
A emergência obstétrica é a primeira porta de entrada das gestantes e segue-se o serviço conduzido pelas boas práticas de cuidado pelos profissionais de enfermagem, mediante o acolhimento e a classificação do risco obstétrico, depois vem o encaminhamento à conduta médica definida, sendo ela expectante ou resolutiva. Nessa mesma direção é correto afirmar que entre os profissionais da saúde responsáveis por essa assistência nos setores de urgência e emergência, o profissional de enfermagem se embasa no seu conhecimento prático-científico, com o papel de prestar uma assistência integral e humanizada às mulheres que apresentam distocias gravídicas e que adentram o serviço de urgência e emergência. (Matoso LML, Lima VA et al 2019.)
O Acolhimento com Classificação de Risco (ACCR) se refere ao ato de acolher com escuta ativa. Ademais, determina a prioridade de atendimento do paciente em situação de urgência e emergência.( Magalhães FJ, Lima FE, Almeida PC, Ximenes LB, Chaves CM et al 2017.) Na obstetrícia, a proposta do Acolhimento e Classificação de Risco A&CR surgiu no município de Belo Horizonte, em 2010, com a criação de um protocolo específico para os atendimentos às demandas relativas ao processo gravídico puerperal. (MG): Secretaria Municipal de Saúde; 2010.
Segundo Dias, Pereira, Carvalho (2019), é importante mencionar a atuação dos profissionais diante de um quadro de HPP, lançando mão de medidas de intervenção eficientes. A identificação de possíveis complicações, dos riscos, e de como agir, pode ser possível através de capacitações e treinamentos em equipe, afim de fortalecer a capacidade técnica e científica desses profissionais de saúde.
De acordo com Pereira (2014), o ato de registrar as ações realizadas pela equipe indica a qualidade da assistência que está sendo prestada e comprova a boa prática profissional, além do cumprimento ético-legal exigido pela profissão de enfermagem.
Para seguir essas diretrizes, o MS desenvolve tecnologias em saúde, destacando-se, portanto o Protocolo de Acolhimento e Classificação de Risco em Obstetrícia (A&CR–O), o qual tem como propósito melhorar os indicadores de morbimortalidade materna e neonatal, mitigar a peregrinação materno infantil, descongestionar as unidades de urgência e emergência, promover linguagem padronizada e sistemática de atendimento, a fim de guiar a prática profissional nas maternidades e nos diferentes serviços de obstetrícia do Brasil. ( Ministério da Saúde; 2017)
O intuito do presente estudo é certificar a reprodutibilidade de tal protocolo como tecnologia válida, segura e favorável ao direcionamento no julgamento clínico em saúde; para a identificação do discriminador de classificação de risco (CR) e dos indicadores clínicos em saúde, os quais fundamentam a determinação da prioridade de atendimento, bem como ocorrem em outras escalas e protocolos de obstetrícia.( TOFANI,L.F. et al., 2023).
A hemorragia pós-parto é considerada uma das principais causas da mortalidade materna no País. De acordo com o Ministério da Saúde (2022), as principais causas de morte materna, definida como aquela que ocorre durante a gestação até o 42º dia pós-parto, são os distúrbios hipertensivos, hemorragias, complicações no parto, e infecções, a exemplo daquelas que ocorrem por meio do abortamento inseguro.
Protocolos e qualificação da assistência de enfermagem nas emergências obstétricas
A adoção de medidas que diminuam as demoras na assistência à HPP, como fluxogramas, treinamentos, e kits previamente preparados são atitudes que se aliam à abordagem desses casos. Quando bem alocados nos setores, os fluxogramas e kits desempenham um papel de alerta para o profissional de saúde, que age de forma proativa e identifica a emergência dentro da Hora de Ouro. Dessa forma, essas medidas possuem tendência na conquista para a inciativa Zero Morte Materna Por Hemorragia (0MMxH), de forma a almejar o aumento das competências e habilidades profissionais para atuar frente as HPP TEIXEIRA,G.A. et al., 2020)
Com base nos questionamentos apontados, hipóteses foram levantadas, de modo a resolver as lacunas existentes na assistência. Foram preparados fluxogramas e kits de cuidados, baseados nas orientações do Ministério da Saúde (2022) e da Organização Pan Americana de Saúde (2018), com vistas a auxiliar no processo de capacitação da equipe. Em um primeiro momento, realizou-se um encontro com os profissionais presentes no setor, possibilitando que os mesmos pudessem discorrer sobre os problemas enfrentados. A partir desse ponto, disponibilizamos as diretrizes existentes nos protocolos científicos, de modo que auxiliem na construção do kit de cuidados, que deverá ser alocado em local de fácil acesso na unidade, e que reduza a demora no recolhimento de todos os insumos necessários para a correção da emergência
A inclusão do fluxograma na rotina da assistência permitiu que outras lacunas da assistência também pudessem ser preenchidas, como a utilização do check list de parto seguro, tendo como objetivo melhorar os cuidados prestados à parturiente e ao recém-nascido nos cenários parturitivos. (OMS, 2014)
CONCLUSÃO:
A análise da literatura permitiu evidenciar que a assistência da equipe de enfermagem nas urgências e emergências obstétricas é um elemento indispensável para a redução da morbimortalidade materna e neonatal, sobretudo em um cenário marcado por desigualdades sociais, falhas estruturais e desafios assistenciais. Os resultados desta revisão integrativa demonstram que a qualificação profissional, a atuação baseada em protocolos, a comunicação efetiva e o acolhimento humanizado constituem pilares fundamentais para um cuidado seguro, oportuno e resolutivo.
Observou-se que os estudos convergem ao destacar que a enfermagem, por estar na linha de frente do atendimento, desempenha papel estratégico na identificação precoce de sinais de agravamento, na estabilização inicial da gestante e na articulação com a equipe multiprofissional. Além disso, enfatizam que o uso de tecnologias em saúde — como o Acolhimento e Classificação de Risco Obstétrico, kits emergenciais, fluxogramas assistenciais e sistemas de registro padronizados — fortalece o processo decisório e a segurança clínica, especialmente diante de situações críticas, como hemorragia pós-parto e síndromes hipertensivas.
Outro ponto relevante diz respeito à necessidade da educação permanente como ferramenta para aprimorar competências técnicas e emocionais da equipe. Os estudos apontam que treinamentos regulares, metodologias híbridas de ensino e a atualização contínua dos profissionais contribuem de forma significativa para a melhoria dos desfechos maternos, uma vez que ampliam a capacidade de resposta diante de emergências obstétricas.
Ademais, verificou-se que as práticas humanizadas, o acolhimento qualificado e a escuta ativa fortalecem o vínculo com a gestante e diminuem a ansiedade, o medo e a percepção de risco, elementos que influenciam diretamente na experiência de cuidado. A articulação entre pré-natal adequado, triagem eficiente e atendimento hospitalar integrado também se mostrou essencial para evitar peregrinação em busca de assistência, reduzir atrasos e garantir intervenções no tempo oportuno.
Dessa forma, conclui-se que a assistência da equipe de enfermagem nas urgências e emergências obstétricas exige não apenas domínio técnico-científico, mas também sensibilidade, preparo emocional, capacidade de tomada de decisão e compromisso ético com a vida materno-fetal.
Os achados demonstram que a assistência da enfermagem nas urgências e emergências obstétricas é indispensável para a redução de desfechos desfavoráveis, pois envolve não apenas a realização de procedimentos técnicos, mas também a capacidade de decisão, comunicação qualificada e acolhimento humanizado. A literatura indica que a utilização de protocolos, a capacitação permanente e a organização dos fluxos assistenciais são estratégias essenciais para garantir um atendimento seguro e eficaz. Conclui-se que investir em educação continuada, tecnologias de cuidado e fortalecimento da rede de atenção é fundamental para qualificar a prática profissional e contribuir para a redução da morbimortalidade materna e neonatal.
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