RESPEITO AOS TEMPOS E AOS SILÊNCIOS DA MEMÓRIA: UMA POSIÇÃO ÉTICA, POLÍTICA E EPISTEMOLÓGICA DA ESCUTA CULTURALMENTE ADEQUADA
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Palavras-chave

escuta culturalmente adequada; silêncio; memória; colonialidade; povo Romani

Como Citar

Costa, E. ., & Cavalcante, L. . (2026). RESPEITO AOS TEMPOS E AOS SILÊNCIOS DA MEMÓRIA: UMA POSIÇÃO ÉTICA, POLÍTICA E EPISTEMOLÓGICA DA ESCUTA CULTURALMENTE ADEQUADA. Humanas Em Perspectiva, 12. https://doi.org/10.51249/hp12.2026.3109

Resumo

Este artigo discute os tempos e os silêncios da memória como dimensões éticas, políticas e epistemológicas da escuta culturalmente adequada, especialmente em contextos atravessados por pertencimentos étnicos, colonialidade e experiências históricas de invisibilização. Parte-se da compreensão de que o silêncio não representa ausência de comunicação, mas uma forma complexa de produção de sentidos, atravessada por relações de poder, trauma, memória e exclusão epistemológica. A partir do diálogo com epistemologias críticas e estudos sobre trauma, alteridade e produção do conhecimento, o texto problematiza práticas institucionais de escuta sustentadas por expectativas universalizantes de narrativa, linearidade e inteligibilidade imediata. Em interlocução com experiências situadas — especialmente relacionadas ao povo Romani —, sustenta-se que muitas formas de silêncio foram historicamente produzidas pela negação da legitimidade de determinados sujeitos, saberes e modos de existir, mas também ressignificadas como estratégias de proteção, continuidade e transmissão de memórias coletivas. Defende-se, assim, que a escuta culturalmente adequada exige não apenas técnicas institucionais, mas um deslocamento ético das formas tradicionais de reconhecimento, de modo a acolher temporalidades múltiplas da memória, formas não lineares de elaboração da experiência e epistemologias historicamente marginalizadas. Mais do que garantir espaços de fala, trata-se de reconhecer o direito à existência de sujeitos que, durante séculos, precisaram silenciar partes de si para serem reconhecidos como humanos.

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